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segunda-feira, 20 de maio de 2013

A Menina dos Olhos de Ouro (Honoré de Balzac)






















"(...) o parisiense vive como criança seja qual for a sua idade. Ele reclama de tudo, consola-se com tudo, debocha de tudo, esquece-se de tudo, quer tudo, experimenta de tudo, enfrenta tudo com paixão, larga tudo - os seus reis, as suas conquistas, a sua glória, os seus ídolos, sejam de bronze ou de vidro - com a mesma indiferença com que joga fora suas meias, os seus chapéus, a sua fortuna. Em Paris, nenhum sentimento resiste ao fluxo das coisas cuja corrente leva a uma luta que acalma as paixões: o amor é ali um desejo, e o ódio, uma veleidade. Ali não há melhor parente que uma nota de mil francos, nem melhor amigo que os créditos populares. Esse abandono geral rende os seus frutos. Na sala como na rua, ninguém é demais, ninguém é absolutamente útil ou absolutamente prejudicial: nem os estúpidos ou os velhacos, nem as pessoas espirituosas ou as honestas. Tudo ali é tolerado, o governo e a guilhotina, a religião e a cólera. Todos convêm a esse mundo, ninguém é insubstituível. Quem domina então nesse lugar sem costumes, sem crenças, sem nenhum sentimento? Mas de onde partem e para onde vão todos os sentimentos, todas as crenças e todos os costumes? O ouro e o prazer."













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