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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Vida de Pi (Yann Martel)

  






"A preguiça de três dedos leva uma vida pacífica, vegetariana, em perfeita harmonia com seu ambiente. "Tem sempre um sorriso amigável nos lábios", registrou Tirler (1966). Eu vi pessoalmente esse sorriso. Não sou do tipo dado a projetar traços e emoções humanas em animais, mas muitas vezes, durante aquele mês no Brasil, observando preguiças em repouso, senti que estava na presença de iogues em profunda meditação, ou ermitões em profunda oração, seres sábios cuja intensa vida imaginativa estava além do alcance de minha sondagem científica.Às vezes eu confundia religião com zoologia. Vários colegas meus de estudos religiosos – agnósticos confusos e escravos da razão, esse ouro de tolo que engana pelo brilho – me faziam lembrar da preguiça de três dedos; e a preguiça de três dedos, exemplo tão belo do milagre da vida, me fazia lembrar de Deus."













Mais frases & trechos selecionados pelos leitores: aqui!
















Esse livro virou filme: assista ao trailer:










Um comentário:

  1. Plágio ou simples inspiração?! Leia trecho da carta de Moacyr Scliar a respeito da polêmica envolvendo "A Vida de Pi" e o seu "Max e os Felinos" escrita em 2007: "(...)depois de muito debate sobre o assunto o livro de Martel finalmente chegou-me às mãos. Li-o sem rancor; ao contrário, achei o texto bem escrito e original. Ali estava a minha ideia, mas era com curiosidade que eu seguia a história; queria ver que rumo tomaria sua narrativa ― boa narrativa, aliás, dotada de humor e imaginação. Ficou claro que nossas visões da ideia eram completamente diferentes. As associações que eu fiz são diferentes das que Martel faz. Um náufrago num escaler diante de um jaguar ― o que significaria aquilo para mim? Por que teria me ocorrido aquela imagem? É uma pergunta que pode se aplicar a qualquer obra de ficção (e a qualquer sonho, qualquer fantasia). E que admite dois tipos de resposta, em níveis diferentes. Um, mais profundo, e por conseguinte mais misterioso, diz que tais coisas se originam no inconsciente; são fantasias ligadas a traumas, cuja elaboração pode demandar muitas horas-divã. O outro tipo de explicação é aquele que ocorre ao próprio autor. Para mim o jaguar era a imagem de um poder absoluto e irracional. Como foi o poder do nazismo, por exemplo. Ou, numa escala bem menor, o poder da ditadura militar que se instalou no Brasil em 1964. Martel dá uma conotação diferente ― religiosa ― à imagem. E isto, presumo, deve ter reforçado nele a convicção de que não estava copiando, mas sim usando a ideia como ponto de partida.(...)"

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