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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
O Príncipe da Névoa (Carlos Ruiz Zafón)
"Mas
a idade faz você ver certas coisas e agora sei, por exemplo, que a vida de uma pessoa se divide basicamente em três períodos. No primeiro, ele nem pensa que vai envelhecer um dia, que o tempo passa ou que, desde o primeiro dia, quando nascemos, todos caminhamos para um mesmo fim. Passada a primeira juventude, começa o segundo período, no qual a pessoa se dá conta da fragilidade da própria vida, e aquilo que não passava de um simples desassossego vai crescendo dentro da gente como um mar de dúvidas e incertezas que nos acompanham pelo resto de nossos dias. Por último, no final da vida, começa o terceiro período, de aceitação da realidade e consequentemente, de resignação e espera. Ao longo da minha conheci muitas pessoas que ficaram presas em algum desses estágios e nunca conseguiram superá-los. É uma coisa
terrível."
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
O Prisioneiro do Céu (Carlos Ruiz Zafón)
"
Teve
cem profissões e nenhum amigo. Fez dinheiro, que logo gastou. Leu livros que falavam de um mundo no qual não acreditava mais. Começou a escrever cartas que nunca soube como terminar. Viveu contra a lembrança e o remorso. Mais de uma vez, foi até o meio de uma ponte ou de um barranco e contemplou o abismo com serenidade."
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Marina (Carlos Ruiz Zafón)
"Cedo
ou tarde, o oceano do tempo nos devolve as lembranças que
enterramos nele."
"Nosso corpo começa a se destruir desde que nasce. Somos frágeis. Criaturas passageiras. Tudo o que resta de nós são as nossas ações, o bem e o mal que fazemos a nossos semelhantes."
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)
"Certa
ocasião ouvi um cliente habitual da livraria de meu pai comentar que poucas coisas marcam tanto um leitor, como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. As primeiras imagens, o eco dessas palavras, que pensamos ter deixado para trás nos acompanham por toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória, ao qual mais tarde ou mais cedo – não importa os livros que leiamos, os mundos que descubramos, o quanto aprendamos ou esqueçamos - iremos retornar."
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
O Jogo do Anjo (Carlos Ruiz Zafón)
"Um
escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço"
"- Sabe o que é bom nos corações partidos? - perguntou a bibliotecária. Neguei. - É que só podem se partir de verdade uma vez. O resto são apenas arranhões."
"
Toda manobra de persuasão que se preze apela primeiro para a curiosidade, depois para a vaidade e, por último, para a bondade ou o remorso."
"O tempo cura tudo, pensei, menos a verdade."
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