Livraria Cultura

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sábado, 28 de julho de 2018

Baseado em fatos reais (Delphine de Vigan)


























"(...) a escrita é uma arma, Delphine (...). A escrita é uma arma de defesa, de fogo, de sinalização, a escrita é uma granada, um míssil, um lança-chamas, uma arma de guerra. Ela pode devastar tudo, mas também pode reconstruir."





"O sucesso de um livro é um acidente do qual não saímos ilesos (...). (...) Meu livro provocara alguma coisa, permitira que aquela violência fosse expressa. Uma violência preexistente. Essa era a vocação da literatura, uma vocação performática, e isso era muito bom. Que a literatura tivesse consequências sobre a vida, que provocasse raiva, desprezo, inveja, sim, era uma boa notícia. Algo estava acontecendo."






"Seus personagens têm que ter uma relação com a vida. Têm que existir fora do papel, é isso que o leitor quer, que existam, que pulsem. Verdade verdadeira, como dizem as crianças. Você não pode entrar tanto na construção, no artifício, no embuste. Senão, seus personagens serão como lenços de papel, nós os jogaremos fora assim que a primeira lixeira surgir. E os esqueceremos. Porque não resta nada dos personagens de ficção se eles não tiverem nenhuma ligação com o real."







"(...) o livro não é nada além de uma espécie de material de difusão lenta, radioativo, que continua a emitir energia por muito tempo."


















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Esse livro virou filme: assista ao trailer:












quinta-feira, 28 de junho de 2018

quinta-feira, 26 de abril de 2018

A Peste (Albert Camus)








"Os flagelos, na verdade, são uma coisa comum, mas é difícil acreditar neles quando se abatem sobre nós. Houve no mundo tantas pestes quanto guerras. E contudo, as pestes, como as guerras, encontram sempre as pessoas igualmente desprevenidas.(...) Quando estoura uma guerra, as pessoas dizem: Não vai durar muito, seria idiota. E sem dúvida uma guerra é uma tolice, o que não a impede de durar. A tolice insiste sempre, e compreendê-la-íamos se não pensássemos sempre em nós. Nossos concidadãos, a esse respeito, eram como todo mundo: pensavam em si próprios. Em outras palavras, eram humanistas: não acreditavam nos flagelos. O flagelo não está à altura do homem; diz-se então que o flagelo é irreal, que é um sonho mau que vai passar. Mas nem sempre ele passa e, de sonho mau em sonho mau, são os homens que passam, e os humanistas em primeiro lugar, pois não tomaram suas precauções. Nossos concidadãos não eram mais culpados que os outros. Apenas se esqueciam de ser modestos e pensavam que tudo ainda era possível para eles, o que pressupunha que os flagelos eram impossíveis. Continuavam a fazer negócios, preparavam viagens e tinham opiniões. Como poderiam ter pensado na peste, que suprime o futuro, os deslocamentos e as discussões? Julgavam-se livres, e nunca alguém será livre enquanto houver flagelos."




"(...) tudo se tornava presente para eles. A peste, é preciso que se diga, tirara a todos o poder do amor e até mesmo da amizade. Porque o amor exige um pouco de futuro e para nós só havia instantes."





"Toda a cidade lançou-se às ruas, para festejar esse minuto em que acabava o tempo dos sofrimentos e ainda não começara o tempo do esquecimento. (...) Do morro escuro, subiram os primeiros foguetes dos festejos oficiais. A cidade saudou-os com uma longa e surda exclamação. Cottard, Tarrou, aqueles e aquela que Rieux tinha amado e perdido, todos, mortos ou culpados, estavam esquecidos. O velho tinha razão, os homens eram sempre os mesmos. Mas essa era sua força e sua inocência (...)."






"(...) ao dar demasiada importância às belas ações, se presta finalmente uma homenagem indireta e poderosa ao mal."

















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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Ao Farol (Virginia Woolf)




























"É permissível, mesmo a um herói à beira da morte, pensar, antes de morrer, que os homens falarão dele dali por diante. Sua fama duraria dois mil anos talvez. E que são dois mil anos (perguntou o Sr. Ramsay ironicamente, mirando a sebe)? O que são, na verdade, se você olha do alto de uma montanha para o longo passar dos séculos? Até mesmo a pedra que a pessoa chuta com a bota perdurará além de Shakespeare.(...) Se Shakespeare nunca houvesse existido perguntou-se seria hoje o mundo muito diferente do que é? Será que o progresso da civilização depende dos grandes homens? Seria o destino do ser humano médio melhor hoje do que no tempo dos Faraós? Contudo, continuou se indagando, será o destino do ser humano médio o critério para julgarmos a civilização? Possivelmente não. Possivelmente o bem-estar da humanidade exige a existência de uma classe de escravos. O ascensorista do metrô é uma necessidade eterna. Esse pensamento lhe foi desagradável. Sacudiu a cabeça. Para evitá-lo, acharia algum modo de se opor à superioridade das artes. Argumentaria que o mundo existe para o ser humano médio, que as artes são mera decoração imposta à vida humana e que não a expressam. Nem Shakespeare é necessário."









































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