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terça-feira, 2 de junho de 2015
Trilogia Os Caminhos da Liberdade: A Idade da Razão (Jean-Paul Sartre)
"Existir
é isso: beber-se a si próprio sem sede (...). Quer ser
livre como outros desejam uma coleção de selos. A liberdade é seu jardim secreto. Sua pequena conivência consigo mesmo. Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, razoável no fundo, que malandramente constrói para si próprio uma felicidade medíocre e sólida, feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. (...)
Não tenho nada a defender, não me envaideço de minha vida e não tenho um níquel. Minha liberdade? Ela me pesa. Há anos que sou livre à toa. Morro de vontade de trocá-la por uma convicção.
"
"Detesto os adeuses moles que se esticam como borracha."
"A calma de Brunet era notável. A calma do mar. A um tempo
entorpecente e exasperante. Nunca parecia ser um homem só, tinha a vida lenta, silenciosa e murmurante de uma multidão."
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
Ian Fleming 107 anos!
Ian Lancaster Fleming nasceu em Londres no dia 28 de maio de 1908;
Aristocrata de nascença: filho de um membro do parlamento inglês do Partido Conservador e neto de um banqueiro escocês, estudou no famoso Eton College, cursou a Academia Militar de Sandhurst e completou seus estudos nas Universidades de Munique e Genebra, a fim de seguir carreira diplomática;
Teve vários empregos antes de começar a escrever. Em uma das fases em que esteve desempregado, o seu avô, farto da vida errática do neto, desistiu de lhe mandar dinheiro e o chamou para trabalhar no banco da família. Um dia ele largou tudo e foi trabalhar na agência internacional Reuters. Sem o mecenato do avô, abandonou o jornalismo para trabalhar como corretor da bolsa a fim de juntar algum dinheiro. Com o início da Segunda Guerra Mundial, voltou ao trabalho de correspondente no jornal Times, de Londres, e na Reuters, em lugares como Berlim e Moscou. Foi justamente na cidade russa que ele travou conhecimento com a arte da espionagem;
Logo depois ingressou no Serviço de Inteligência da Marinha Inglesa, e como seu famoso personagem, chegou ao posto de Comandante. Enquanto trabalhava na Inteligência Naval Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, foi envolvido nos estágios de planejamento das Operações Mincemeat e Golden Eye, com a primeira sendo realizada com sucesso. Seu serviço na guerra e sua carreira como jornalista lhe deram bases e conhecimentos para escrever
doze romances de Bond e dois livros de contos;
Depois de ser dispensado em maio de 1945, se tornou o gerente de relações exteriores do grupo Kemsley, que na época era dono do The Sunday Times. Nesse cargo ele supervisionou a rede internacional de correspondentes do jornal. Seu contrato lhe permitia três meses de férias na Jamaica todos os anos durante o inverno. Trabalhou no jornal em tempo
integral até dezembro de 1959;
Durante a guerra, havia mencionado com amigos que adoraria escrever um romance de espionagem. "Casino Royale", a primeira aventura de James Bond,
foi publicado em 1953;
O nome James Bond veio de um ornitólogo, autor do livro "Birds of the West Indies", um estudo sobre os pássaros do qual ele gostava muito. Metade ficção, metade um disfarçado guia de espionagem para novatos, "Cassino Royale" foi inspirado numa fracassada incursão de Fleming pelos cassinos de Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial. O trabalho tornou-se estrutura básica da maioria dos livros de Bond e do seu próprio personagem. Fumante inveterado, usa apenas mocassins, se veste com um alfaiate em Savile Row, é poliglota, adora bebidas e dirigir automóveis em alta velocidade. No entanto, o livro não obteve sucesso imediato. "Cassino Royale", cuja primeira edição contou com apenas 4750 exemplares, hoje é item de colecionador. Quarenta anos depois, hoje a obra é peça procurada e paga a peso de ouro;
Mas de onde veio o número 007? Uma das maiores vitórias do serviço secreto britânico durante a Primeira Guerra foi decifrar o código do telegrama enviado por Arthur Zimmermann, ministro alemão das Relações Exteriores, ao seu embaixador no México, em 1917. Interceptada, a mensagem foi decifrada graças ao código 0075 – e essa descoberta acelerou a entrada dos EUA no conflito. Por muito tempo, todo o material classificado sob o número “00” foi considerado de extrema importância. Fleming retomou os primeiros dígitos, deixando de lado o 5. Uma coincidência divertida: o matemático, astrólogo e espião britânico do século XVI, John Dee, assinava 007 nas cartas que escrevia à soberana. O prefixo 00, representando os dois olhos, era seguido de um sete alongado. O grafismo significava a mensagem “Somente para os seus olhos”;
Fleming se inspirou em suas experiências e em pessoas que conheceu para forjar seu herói. E repetiu a fórmula com os coadjuvantes. “M”, chefe de James Bond, é a projeção do almirante John Godfrey, chefe de Fleming durante a guerra. “Q”, o inventor, seria o espelho de Charles Fraser-Smith (1904-1992), um agente encarregado de fornecer armas especiais, como cigarreiras com câmeras fotográficas escondidas, cachimbos-revólveres, canetas com gás lacrimogêneo, lápis-bússola... Todos verdadeiros instrumentos de trabalho, e não engenhocas dos romances. Os inimigos de Bond também foram baseados, embora de forma mais distante, em indivíduos reais. Goldfinger seria uma pequena vingança pessoal contra o arquiteto modernista Erno Goldfinger (1902-1987), tudo porque Fleming odiava suas obras;
Escreveu um total de doze romances e duas coleções de contos de James Bond, publicados todos os anos. Seus dois últimos livros foram publicados postumamente;
As histórias de James Bond estão entre os livros mais vendidos de todos
os tempos, com mais de 100 milhões de cópias vendidas mundialmente.
Fleming também escreveu a história infanto-juvenil "Chitty-Chitty-Bang-
Bang" e dois livros de não-ficção. Em 2008, o jornal The Times o colocou
na décima-quarta posição em sua lista dos "50 Maiores Escritores de
Língua Inglesa de Todos os Tempos";
A franquia 007 é a série de filmes
mais lucrativa da história do cinema: todos juntos já arrecadaram 12
bilhões de dólares. Fumante inveterado, Ian Fleming morreu de ataque cardíaco na Inglaterra em 12 de agosto de 1964, antes da estréia daquele que seria o mais clássico filme da série do espião, o "007 Contra Goldfinger".
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
Arthur Conan Doyle 156 anos!
Arthur Ignatius Conan Doyle nasceu na Escócia em 22 de maio
de 1859;
Estudou medicina na Universidade de Edimburgo. Enquanto estudava, começou a escrever pequenas histórias. Sua primeira obra, o conto
"O Mistério de Sassassa Valley",
foi publicada antes de completar 20 anos de idade, no Chambers’s Edinburgh Journal;
Foi nas horas de ócio em seu consultório médico que começou a esboçar o que mais tarde seria seu
detetive;
"Um Estudo em Vermelho" (1887), foi publicado no Beeton’s Christmas Annual. Foi a primeira vez em que Sherlock Holmes apareceu. O personagem foi inspirado no professor Joseph Bell;
Em 1890 publica "O Signo dos Quatro", o segundo livro protagonizado por Sherlock Holmes;
Em 1902, publica "O Cão dos Baskervilles". Nesse caso, o detetive e seu fiel parceiro Watson investigam a morte do Sir Charles Baskerville, um milionário inglês achado morto em um pântano próximo de seu lar. Conta a lenda que Charles havia sido assassinado por um cão que assombrava a região, conhecido por matar gerações da família Baskerville;
Nos intervalos das histórias do famoso detetive, dedicou-se a outras obras como "A Companhia Branca", "As Façanhas do Brigadeiro Gerard" e "Micah Clarke". Esse último, foi um grande sucesso. Doyle acabou, assim, abandonando a medicina para seguir definitivamente a carreira
literária;
As histórias de Sherlock Holmes tornavam-se mais e mais populares, obrigando-o a continuar criando casos para seu detetive. E quanto mais vezes o detetive expunha suas habilidades para o público estupefato, mais as outras obras de Doyle tornavam-se obscurecidas. Em 1891, escreveu à sua mãe: "Tenho pensado em matar Holmes e livrar-me dele para sempre. Ele mantém minha mente afastada de coisas melhores".
A ideia de acabar com Holmes permanecera com Doyle, e durante sua visita à Suíça, em 1893, conheceu as cataratas Reichenbach, local que escolheu como palco para o encontro fatal entre Holmes e o Professor Moriarty. Pretendia, assim, pôr um fim às histórias de Holmes e dar
espaço às suas obras mais clássicas.
A morte de Sherlock Holmes, publicada em 1893 no caso "O Problema Final", chocou milhares de pessoas de todos os cantos do mundo. Muitos marcharam em luto pelas ruas de Londres, em protesto. O público não se conformava e clamava pela volta do detetive. Assim, em meio a um turbilhão de protestos e insultos, foi obrigado a ressuscitar seu detetive no caso "A Casa Vazia", em 1903. Era a prova de que a criatura tornara-se mais forte do que o criador. Sherlock Holmes tinha tornado-se imortal;
Pelas suas contribuições para a pesquisa forense, Sherlock Holmes entrou para a Royal Academy of Chemistry em 2002. É o único personagem fictício a fazer parte dos quadros da academia. Ao contrário do que se imagina, Conan Doyle não foi nomeado cavaleiro por ter criado Sherlock Holmes. Em 1902, o Rei Eduardo VII concedeu a Doyle o título de “Sir”. Mas foi por seu panfleto de não-ficção, “A Guerra na África do Sul: Causa e Conduta”, em que justificava o papel do Reino Unido na Guerra dos Bôeres. Em seus últimos anos de vida, Conan Doyle dedicou-se ao estudo aprofundado do espiritismo, assunto sobre o qual escreveu exaustivamente. O espiritismo tornou-se uma religião para ele, e o levou a promover palestras em vários países, como a Austrália e África do Sul. Em 1922, declarou que a famosa foto das fadas de Cottingley era autêntica. Morreu em 7 de Julho de 1930, debilitado por um ataque cardíaco que o afligira meses atrás.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Balzac 216 anos!
Honoré de Balzac nasceu na França em 20 de maio
de 1799;
Filho do funcionário público, desde pequeno sonhava viver entre aristocratas e imortalizado pela atividade literária. Logo que aprendeu a escrever acrescentou um "de" no seu nome, marca de nobreza na França;
Na adolescência, tentou o suicídio ao pular de uma ponte que fica sobre o Rio Loire. Em 1816, entrou na Sorbonne. Com 20 anos formou-se em Direito;
Trabalhava em um escritório de advocacia quando, convencido de que seria um grande escritor, decide abandonar tudo e se dedicar à literatura;
Seu primeiro projeto literário foi um libreto para uma ópera cômica chamada Le Corsaire, baseado no The Corsair de Lord Byron;
Em 1820, depois de um ano passado entre leituras, passeios e dúvidas, conclui "Cromwell", uma tragédia composta de versos alexandrinos. seu revisor, um homem chamado Andrieux, escreveu no manuscrito: "O autor pode
fazer tudo o que quiser, exceto literatura.";
Em 1822, os romances sentimentais, publicados em fascículos mensais, estavam na moda. Balzac sabia não ser esse o caminho da arte, no entanto, publica, sob pseudônimos (Lord R'hoone, Horace de Saint Aubin), vários
romances;
Em 1825, com recursos da família e da esposa, monta uma editora. Publica "Os Chouans" e a "Fisiologia do Casamento", romances que lhe abriram as portas dos importantes círculos literários, assinando seu nome pela primeira vez. Colabora com revistas e periódicos de sucesso. Em um único ano escreve inúmeros artigos, dezenove novelas e romances, entre eles, "Catarina de Médicis", "A Pele de Onagro", "Beatriz" e "Pequenas Misérias da Vida Conjugal";
Em 1832, candidata-se a deputado, mas não obtém os votos esperados. Em 1834, publica, "Pai Goriot", iniciando o sistema de repetição de personagens de uma obra para outra. Sentiu que podia fazer romances sem começo nem fim, ligados uns aos outros, representando os diversos momentos da vida. Nesse mesmo ano publica "A Comédia Humana", composta de 95 romances, dividida em três partes: "Estudos de Costumes", "Estudos Filosóficos" e "Estudos Analíticos". Publica ainda "O Contrato de Casamento", "O Lírio do Vale", onde celebra sua "Dileta" sob o nome de "Senhora Mortsauf" e "Memórias de Uma Jovem Esposa". Em 1942 publica "A Mulher de Trinta Anos", romance que deu origem à famosa expressão "balzaquiana";
São notáveis os seus hábitos de trabalho: embora não conseguisse trabalhar rapidamente, esforçava-se com dedicação e foco incríveis. Seu método preferido era comer uma rápida refeição às cinco ou seis horas da tarde, e então dormir até meia-noite. Depois do descanso, levantava-se na madrugada e escrevia por muito tempo, às vezes ininterruptamente, com pausas apenas para tomar algumas xícaras de café, pois, conforme escreveu, "O café é a bebida que desliza para o estômago e põe tudo em movimento." Costumava trabalhar em um único trecho por cerca de quinze horas ou mais; chegou a declarar que certa vez trabalhou sem parar por 48 horas com apenas três horas de descanso. Notável por suas agudas observações psicológicas, é considerado o fundador do Realismo na literatura moderna. Morreu no dia 18 de agosto de 1850, aos 51 anos, sem ter realizado o sonho de se tornar um aristocrata. Foi enterrado no Cemitério de Père-Lachaise em Paris. Vitor Hugo foi quem proferiu o discurso fúnebre.
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
Água Viva (Clarice Lispector)
"Minha
verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver."
"Criar de si próprio um ser é muito grave. Estou me criando. E andar na escuridão completa à procura de nós mesmos é o que fazemos. Dói. Mas é dor de parto: nasce uma coisa que é."
"A palavra é minha quarta
dimensão."
"Corro perigo como toda pessoa que vive. E a única coisa que me espera é exatamente o inesperado. Mas sei que terei paz antes da morte e que experimentarei um dia o delicado da vida."
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